Na Copa de 1970 cantava-se: “90 milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração...” Hoje, poderíamos alterar a primeira parte da letra para: 190 milhões em ação...Porque, por mais que a pessoa não goste de futebol ou de copa do mundo, quando tem jogo do Brasil o coração bate mais forte.
Prova disso são os padres e as freiras que se mobilizam para assistir aos jogos. Nos conventos não falta empolgação. Não tem decoração, mas a camiseta não falta e é vestida por quase todos; só não veste quem não tem, ou não pode.
No convento de Nossa Senhora das Graças, vivem cinco frades que torcem muito pelo Brasil, eles assistiram o primeiro jogo sozinhos em uma sala de TV, mas para assistir os próximos se reunirão com outros 19 padres do seminário que fica ao lado do convento. “Como prato principal teremos pipoca”, diz Frei Fernando.
A idade dos frades e seminaristas varia entre 18 e 80 anos e absolutamente todos gostam de futebol. O seminarista mais velho, cujo nome não foi divulgado, não pode ouvir falar em futebol que já sai correndo para frente da TV. Ele é quem empolga os outros.
Já no convento das Carmelitas do Espírito Santo as 21 freiras são mais comportadas, apesar de não viver em clausura. Elas assistem aos jogos, comem pipoca, mas não vestem a camisa; vestem o hábito, a roupa tradicional. Porém não deixam de torcer.
A irmã Soraia Schultz, 18, diz ser apaixonada por futebol e que se não fosse freira, com certeza seria jogadora. “É uma profissão de desafios tanto quanto a minha. Temos que enfrentar muitos tabus ao optar por uma delas”, afirma.
Ao ser questionada sobre as freiras que jogaram futebol com o Ronaldo Fenômeno ela desabafou: “acho que foi uma oportunidade única, para poucas. Com certeza se tivesse oportunidade também iria. Infelizmente aqui não temos um grupo interessado em formar um time. Mesmo porque a doutrinação não permitiria”.
Em contrapartida há os que não aprovam a copa ou os jogos, por exemplo, no Mosteiro de São Bento, Dom Gregório foi enfático ao declarar: “Sim nós assistimos aos jogos da Copa, mas não há decoração no mosteiro, pois o centro de nossa vida não é a copa do mundo, mas a pessoa de Cristo. Os jogos são momentos de lazer e apenas isso”.
Muitos no mosteiro na hora do jogo se recolhem em seus quartos em oração, não para o Brasil, mas para purificação.
Curiosidades
Os mesmos padres que hoje não se interessam ou se interessam muito pelo futebol foram os responsáveis pela vinda do futebol para o Brasil, segundo o estudo do historiador José Moraes dos Santos Neto, formado pela Unicamp e integrado atualmente no quadro de docentes do Colégio Pio XII, em Campinas. Ela é autor do livro Visão de Jogo: Primórdios do Futebol no Brasil. Em 118 páginas, Neto defende que Charles Miller não seria o introdutor do futebol no país, como se tem na história oficial.
O esporte teria chegado aos campos de terra batida indígena através dos jesuítas no século XIX e teve como responsável indireto o diplomata e jurista, Rui Barbosa que em excursão à Europa juntamente com o padre José Mantero, que anos depois se tornaria Reitor do Colégio São Luis, trouxe do estrangeiro duas bolas de capotão, que ao se desgastarem eram substituídas por bexigas de boi. Os padres a partir daí inventaram regras, e a divisão de dois times que teriam como meta levar a bola até a marca feita na parede do campo adversário, hoje conhecido como GOL.
Portanto, Charles Miller perde seu mérito? Não! Afinal foi ele que introduziu a modalidade nos clubes de elite de São Paulo na época. Filho de ingleses, era hábil freqüentador desses lugares.
No entanto, a Copa está apenas começando e seja pelos padres ou pelo filho de ingleses, o fato é que o Brasil é o favorito e o único país participante de todas as edições da copa do mundo.
E terá 190 milhões de torcedores que gostam ou não gostam de futebol, mas que amam o Brasil.
domingo, 13 de junho de 2010
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